João e a Pé de quê?

João é um garoto de classe baixa que vive apenas com a sua mãe, os dois moram em um morro e passam por situações consideradas desesperadoras, chegando dias que até passam fome. Certo dia a mãe de João pediu para que ele fosse no centro da cidade vender a última peça valiosa que ela possuía, um correntinha de ouro com uma vaca entalhada nela. A caminho do centro, João com a correntinha que o deixaria tirar a barriga da miséria, estava passando por um beco quando percebeu um homem maltrapilho encostado na parede. Ficou com medo do homem e decidiu passar o mais longe possível dele, mas o homem foi mais esperto, desencostou da parede e ficou frente a frente com João, com um movimento rápido tirou algo do bolso e falou para um João horrorizado:

– Percebi que você têm uma corrente muito bonita aí meu jovem, que tal fazer uma ótima troca? Eu tenho aqui sementes mágicas! Com elas você poderá ganhar muito dinheiro! – Dizendo isso o homem maltrapilho apresentou as sementes à João, esse estava aterrorizado, mas quando viu as sementes coloridas e grandes ficou maravilhado, mesmo desconfiando um pouco do homem fez a troca e voltou sorridente para casa. Quando chegou em casa contou tudo o que havia acontecido para a mãe e mostrou aqueles feijões mágicos que trazia consigo com tanto zelo. A mãe incrédula tirou os feijões da mão de João e os jogou pela janela para o quintal e depois deu a maior surra que João já havia tomado em toda a sua vida dizendo que ele fora enganado e que era um retardado por acreditar em feijões mágicos. João dormiu com fome e infeliz aquela noite prometendo para si mesmo que nunca mais seria enganado em toda a sua vida.

            O tempo passou e João cresceu em meio ao tráfico e a bandidagem, desde cedo teve que roubar para não passar fome e alimentar o vício em álcool de sua mãe, já havia perdido a conta de tantas coisas ruins já tinha feito e João ainda não havia nem chegado a maioridade. Lembra-se daquelas sementes que a mãe de João jogou pela janela quando ela era menor? Então, elas fecundaram o solo e se transformaram em uma grande árvore que chegava a quase quatro metros de altura.

            A casa de João era uma das últimas de sua rua e atrás de sua casa erguia-se um grande condomínio fechado da classe mais alta de sua cidade.

            Um certo dia João havia acabado de voltar de um assalto e estava descansando em casa, quando percebeu algo que lhe chamou muito a atenção, aquela árvore que cresceu com as sementes que aquele maldito homem tinha lhe enganado quando era criança passava dos arames do muro do condomínio fechado, então João teve uma grande ideia e resolveu testá-la. Subiu na árvore e quando estava quase no topo, conseguiu agarrar-se na ponta de um galho e desceu para dentro do condomínio fechado com facilidade, quando aterrizou no chão percebeu que estava nos fundos de uma casa e a porta estava aberta, entrou com cautela com medo que tivesse alguém em casa, mas depois de uma boa vasculhada não encontrou ninguém e decidiu procurar dinheiro e coisas de valor. Como não havia trazido consigo nenhum saco ou coisa parecida para colocar as coisas que seriam furtadas decidiu pegar todo o dinheiro que conseguisse e quando ia saindo percebeu uma estatueta de ouro em cima de uma mesa na sala, colocou o dinheiro em um bolso e a estatueta em outro, percebeu que teria que sair pela porta da frente e mais que depressa foi abrir a porta para encontrar algum lugar que pudesse escapar ou talvez teria que sair pelo portão de entrada como um morador comum. Mas antes de chegar à porta, a mesma se abriu e por ela entrou um senhor de idade, ele se assustou ao ver João ali, mas mesmo assim ergueu seus braços e disse que João poderia levar tudo o que queria. João sabia o que tinha que ser feito, ele morava na rua de trás e não queria sair de sua casa e o homem poderia facilmente reconhecê-lo porque estava sem capuz, então João levou o velho para o fundo, pegou um machado de cortar lenha e matou o velho a sangue frio com dezesseis machadadas por todo o corpo. João trancou a casa e saiu como se nada tivesse acontecido, porém, o senhor da casa ao lado achou estranho um homem saindo da casa de seu vizinho aquele horário e resolveu ligar para a segurança do condomínio. Como João não havia achado outra saída, resolveu sair pelo portão da frente como um morador qualquer, mas quando chegava ao portão foi impedido de passar pelos seguranças que perceberam que João era um ladrão e chamaram a polícia. A polícia investigou a casa que fora assaltada e acharam o corpo mutilado do velho. João foi condenado à trinta anos de prisão sem condicional e morreu na cadeia. 

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Há Vida Após a Morte?

É tão difícil não acreditar em uma vida após a morte quando alguém próximo a nós morre, mas será que há mesmo?

Particularmente, essa é uma das questões que eu mais gosto de pensar sobre, simplesmente porque não existe uma resposta concreta para isso, todas não chegam nem perto de serem respondidas de forma coerente e que convença uma grande parte da população. Passagem, transcendência, rito, esse são alguns nomes usados para o que ocorre quando um ser humano morre, mas para onde ele vai?

Paraíso, Céu, Inferno, Tártaro, Submundo, Planos Existenciais, Campos Elísios, Asfódelos, Olimpo, Limbo são termos utilizados para designar “lugares” que poderemos ir depois de morrer. A única pergunta a ser feita nesse momento é: Por que nós acreditamos nisso? Conforto? Tirar o peso da consciência? Pensar positivo? Cada um tem o seu motivo para acreditar ou não acreditar, mas mesmo assim ainda não temos uma resposta definitiva para a questão principal. Deveríamos pensar igual os egípcios e começarmos a embalsamar todos que morrem, construir pirâmides e enterrá-los junto ao Livro da Morte para garantir a passagem? Ou devemos deixar que forças maiores decidam sobre isso? Devemos passar por um julgamento para sabermos para onde devemos ir? Se vamos sofrer ou viver em eterna alegria? Preciso deixar claro que essa dissertação nada mais é do que um texto para persuadir você, leitor, a pensar sobre esse assunto, aí está o porquê de tantas perguntas.

Primeiramente queria falar sobre a questão de reencarnação. Essa, pelo menos para mim, é um pouco mais difícil de acreditar do que as outras, porque nela o ser humano que morrer irá reencarnar em outra vida, mas sem memória nenhuma de suas vidas passadas ou qualquer vestígio de algumas delas. Mas qual seria o sentido então? Isso não seria uma reencarnação, mas sim uma vida nova, com tudo novo. Há pessoas que dizem passar por outras vidas quando são submetidas a “tratamentos” específicos, mas como eu nunca passei por nada parecido acho essa questão um tanto quanto complicada.

Depois gostaria de falar da opinião de alguns ateus que dizem que não há nada após a morte. Essa é tão difícil de acreditar quanto a primeira, não que existam razões específicas, mas não seria, talvez, chato, não existir nada além dessa vida? É só isso aqui e acabou, assim, do nada? E as pessoas que morrem cedo? Não tiveram a oportunidade de viver quase nada da vida e simplesmente sumiram da face da terra? Então por que nos apegamos tanto à questão da vida após a morte e tão poucas pessoas não acreditam? Simples. Porque ninguém quer que termine, eu não quero que minha vida acabe assim, do nada, ou que acabe e não exista mais nada, eu não queria que a vida da minha mãe acabasse.

Por último falarei das outras questões, que em sua maioria são diferentes na teoria, mas na prática são todas iguais. Você tem que ser bom aqui na terra para que possa garantir seu lugar no céu, paraíso, ou qualquer outro plano existencial que você acredite. E se você for mau, queimará no fogo do inferno, ou algo assim. É matemática simples (e olha que sou péssimo com números), seja bom e ganhe sua recompensa, seja mau e receba seu castigo. Manifestar opiniões sobre determinado assunto não quer dizer que você tenha a resposta, só quer dizer que você acha alguma coisa de alguma outra coisa. Por exemplo, eu acredito na vida após a morte, não creio que seja possível nós vivermos tão pouco tempo aqui na terra e depois nos perdermos no nada. Mas não é só porque eu acho isso, que você vai achar também. Crie sua própria opinião e faça um debate sobre isso, debates são ótimos para aguçar e melhorar seu ponto de vista e seus argumentos.

Convido a todos vocês, meus leitores, que chegaram ao fim dessa dissertação, a refletirem e se perguntarem, qual o propósito de tudo isso? Qual o propósito de atribuir várias opiniões sobre um determinado assunto fazendo pessoas refletirem sobre isso? Eu sou da seguinte opinião, faça o certo, mas o que é certo para você, seja feliz e o resto melhora.

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O Quarto Maldito da Capelinha

Há muito tempo havia uma capelinha no meio do nada. Essa capelinha era comandada por um frei já de idade com cabelos longos brancos e uma barba tão branca quanto a neve que se chamava Jair. O frei sempre foi muito paciente e educado com todos que frequentavam sua capela e apesar de não receber muitas visitas, todos que por ali passavam eram muito devotos e gostavam de passar ao menos uma hora na igreja rezando e depois confessarem com o frei Jair. O frei ouvia de o pecado de todos com amor e rezava para que Deus os perdoasse, desde os mais tediosos até os mais fortes ou curiosos. Frei Jair não podia contar à ninguém sobre aqueles pecados e por isso guardava para si, certas vezes com culpa, outras com nojo, mas o importante era preservar sua reputação como frei, se não a querida capelinha poderia ser tirada dele. Até que certo dia frei Jair estava em uma de suas rotinas diárias quando um homem chegou desesperado a capelinha, frei Jair assustou-se e então o homem foi correndo em sua direção. Frei Jair teve medo, mas manteve-se no lugar esperando que fosse um fiel desesperado em busca do perdão de Deus e ele estava certo, mas em partes. Era sim um fiel desesperado, mas esse homem quando chegou ofegante, com os olhos estalados e suando frio não queria nenhum perdão, queria dar apenas um aviso e esse aviso foi ouvido atentamente por Frei Jair:

– Cuidado!! Esse lugar corre perigo! O fogo virá e consumirá tudo que aqui estiver! – O frei ficou com medo de que algo ali por perto estava queimando, então disse ao fiel:

– Mas isso aqui é tudo o que eu tenho! Não posso abandonar esse local, eu o consegui com muito suor e sacrifício! Por favor, me ajude a apagar esse fogo que vem vindo. – O homem olhou incrédulo para o frei e então respondeu:

– Esse fogo é impossível de apagar! Não há como fugir! Quando você percebê-lo você já estará sendo engolido por ele! – O homem parecia estar falando muito sério, mas mesmo assim frei Jair não sairia daquele lugar por nada e o homem havia percebido aquilo. Achou frei Jair um homem bravo por querer proteger seus domínios e então apiedou-se pelo velho homem e lhe disse:

– Tudo bem então, se quer ficar que fiques! Mas deixe-me ajudar de uma forma. Pegue isso. – E entregou um pingente com um pequeno frasco pendurado no cordão para o frei. – Foi isso que me salvou do fogo maldito, talvez você tenha a mesma sorte que eu e consiga proteger sua casa! Espalhe uma gota por todos os cômodos desse lugar e fique com o pingente, com isso o fogo não lhe atingirá. Boa sorte! – Antes que dissesse mais alguma coisa o homem saiu correndo e virou na direção contrária da qual veio. Frei Jair ficou preocupado com tudo aquilo que o homem havia dito e então saiu correndo para fora da sua capelinha a fim de ver o fogo que estava chegando e pensar em uma maneira de se proteger, mas quando chegou na parte de fora surpresa, não havia nenhum fogo se aproximando, nem ao longe dali. Frei Jair sorriu ao perceber que aquele homem era apenas um louco e então encaminhou-se novamente para dentro da sua capelinha parar retornar às suas atividades diárias. Mas somente quando entrou novamente na capelinha percebeu que ainda estava com o pingente daquele homem e então teve dó do coitado, talvez fosse  um louco temporário e depois voltasse para pegar seu pertence, pensando assim frei Jair levou aquele pingente até seu quarto. Seu quarto era bem pequeno, havia um criado perto da porta, um guarda-roupa ao fundo e uma cama encostada na parede a esquerda. Frei Jair deixou o pingente com o frasco sobre o criado e saiu apressado para voltar a sua terefas que nunca terminavam. Enquanto saía, o frasco que havia sido colocado na ponta do criado recebeu uma rajada de vento que entrou pela janela aberta e derrubou o frasco no chão do quarto, o mesmo quebrou-se e seu líquido foi espalhado pelo chão do quarto.

Frei Jair fazia de tudo para deixar sua capelinha a mais linda de todas, carpia, repintava as paredes periódicamente, varria os arredores diariamente e lustrava suas preciosas imagens. Talvez, por conta dessa preocupação com a parte física daquela capelinha tão bem cuidada, frei Jair não foi capaz de impedir sua quase total destruição. No mesmo dia, frei Jair estava regando suas plantas quando de repente o frei começou a ouvir um crepitar, olhou para os lados e pensando ser sua imaginação voltou para suas plantas. Quando se virou, não viu mais sua preciosa capelinha, mas sim um fogo vermelho como sangue que tomava conta de tudo que ali estava e se aproximava cada vez mais. Frei Jair, acreditando só agora naquele homem que ele julgou insano, saiu correndo em direção ao seu quarto para pegar o pingente que o homem havia deixado e tentar se salvar daquele pesadelo, mas o fogo era rápido e estava atravessando a capelinha de uma forma incrível, transformando tudo o que tocava em cinzas. Frei Jair teve que assistir sua tão querida capelinha ser reduzida a cinzas enquanto corria. Quando entrou no corredor que dava para a porta do seu quarto sentiu um pequeno fio de esperança, mas aquele fogo já estava em seu encalço e quando frei Jair pôs a mão sobre a maçaneta da porta o fogo o atingiu e ele virou apenas um punhado de cinzas junto com tudo aquilo que ele amava ali na capelinha.

Muitas pessoas que passavam sempre pela capelinha na parte da manhã se assustaram com o que havia acontecido, chamaram todas as pessoas da cidadezinha alí perto para ajudar a procurar o querido frei Jair, mas sem sucesso, até que, acharam uma mão presa à uma maçaneta e por incrível que pareça a porta do quarto do frei Jair estava intacta junto com seu quarto e tudo o que havia dentro, ninguém nunca soube explicar o porquê daquilo. Por um bom tempo nada foi construído nem mudado naquele lugar, as pessoas tinham medo. Pela cidade se espalharam lendas, uma mais estranha que a outra, para explicar o caso do quarto maldito da capelinha. Hoje em dia conta-se que, atrás de um supermercado levantaram a construção de uma igreja e suas edificações na quadra inteira no lugar onde era a capelinha e o mais curioso de todos, não derrubaram o quarto do frei Jair, apenas reformaram e fizeram um quarto para pessoas que vão fazer encontros ou retiros passarem a noite e também é usado como depósito de coisas que não estão sendo mais usadas. Conta-se que naquele quarto há um boneco com uma roupa vermelha como sangue, barba e cabelo tão brancos como a neve também e ninguém sabe como aquilo chegou lá, nunca foi usado para nada, mas ninguém tinha coragem de jogá-lo fora porque havia algo naquele papai noel que colocava medo em qualquer um. E assim o tempo passa e todas as vezes que alguém dorme naquele quarto há reclamações de terem ouvido um crepitar distante.

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O que é a morte?

Um rito? Uma passagem? Um falecimento?  Um desencarne? Uma perda ou um ganho? O começo ou o fim da vida? De qual vida?

Essas são perguntas um tanto quanto perturbadoras. Mas será que é possível descobrir realmente o que é a morte com tantos pontos de vista? Acho pouco provável. Trabalharei apenas com suposições que formulei a partir da leitura de algumas obras.

“Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo.” Começo essa dissertação com as palavras do meu querido amigo Dr. House. House diz isso após a namorada do seu melhor amigo morrer e os dois acharem que a culpa é dele complicando de uma forma catastrófica a amizade dos dois. Se a morte pode conseguir algo tão forte como desmanchar uma grande amizade com muitos anos de duração do que mais ela é capaz? E tão impossível ter certeza absoluta de um conceito para a morte quanto provar que Deus não existe. Para Heráclito não se fala de vida se não pela morte, não se compreende a morte se não pela vida. Com toda certeza nós temos que viver para morrer, mas por que morremos? Porque existem doenças degenerativas? Para controlar a população mundial? Porque existe uma entidade maior que brinca conosco? Qual a sua opinião?

Saber que alguém próximo a você está morrendo pode ser algo chocante e um ato devastador para quem recebe a notícia. Nós nos preocupamos como nunca havíamos feito antes. Buscamos sempre fazer o melhor. Choramos igual condenados. A culpa por algo passado bate forte. Resumindo, nós fazemos uma análise da nossa vida, mesmo que não seja a nossa que esteja se esvaindo. Até nesse ponto o ser humano é tão egoísta ao preocupar-se mais consigo mesmo do que com quem está prestes a falecer.

Como funciona para a pessoa que está quase indo para o lado de lá? (Se é que ele existe) Eu não faço ideia é claro, nunca estive prestes a morrer, mas como passei um bom tempo no hospital do câncer da minha cidade pude ver cinco pessoas que estavam prestes a morrer. Algumas desorientadas nem sabiam o que estava se passando, felizes essas que não faziam ideia de que iriam morrer e quando foram nem perceberam. A morte começa quando o ser humano começa temê-la. Não antes e nem depois. O temor da morte faz o ser humano não viver sua vida, se preocupar mais com algo que está por vir do que o que está acontecendo no atual momento. Essa com toda certeza é uma das maiores causas de mortes. Outras pessoas sabiam de tudo e agonizavam. Mas essas já sabiam que iriam morrer, aceitaram a morte de bom grado e estavam apenas se preocupando com os membros da família a sua volta, pedindo para que eles não ficassem tristes, mas isso é quase impossível não? Consegui ver pessoas que estavam felizes com a morte. Será que é possível? Na verdade, é muito nornal, só é difícil as pessoas manifestarem esse desejo pois provavelmente seriam impedidas. Essas pessoas talvez tiveram uma vida miserável, escolhas ruins, consequências piores ainda, ou talvez, apenas tivessem a cabeça fraca, mas a culpa disso não é minha nem sua, afinal, existe culpa da morte?

Se alguém dá um tiro em uma pessoa, foi culpa dela aquela bala ter se alojado no coração da pessoa e a matado? Se sim, então quando a bala é totalmente mirada e não atinge nenhum lugar com dano permanente também é culpa do atirador? Se um médico ministra um remédio errado e mata alguém ele é o total culpado por isso ter acontecido? Para se entender pelo menos um pouco da morte é preciso analisar uma série de fatores que as pessoas não estão nenhum pouco dispostas a analisar. Todas agem por impulso, a primeira coisa que veêm se torna uma verdade absoluta e então ignoram todo o resto. Talvez essa seja a coisa racional a ser feita, mas não a certa. As pessoas buscam desesperadamente qualquer pessoa ou coisa para culpar tentando “tirar o dela da reta”. Isso prova ainda mais o quanto o ser humano é egoísta em relação a qualquer assunto.

Já que morrer está tão relacionado à vida, por que as pessoas desperdiçam sua vida com o medo de morrer? A morte deveria ser o fator que leva as pessoas a viverem! Não o contrário! A morte poderia ser nada mais nada menos do que uma mensagem criada pelo ser humano, para dizer ao próprio ser humano “Vá e viva sua vida antes que seja tarde demais!!” Mas parece que é difícil isso entrar na cabeça das pessoas. Como dito no começo dessa dissertação, talvez seja preciso alguém a sua volta morrer para que você comece ver as coisas da maneira certa, já que a morte muda tudo. Então qual é o significado de viver se um dia vamos morrer? Aí que está a (de um modo grosseiro e irônico) graça da coisa. Nós não sabemos! Não sabemos se havia algo antes de virmos para cá, não sabemos se existe algo depois daqui, a única coisa que nos resta é aproveitar o que a gente sabe! E tenho certeza que nunca conseguirão provar se algo existe antes ou depois, portanto, continuaremos tendo que viver nossa vida de um modo que nos faça feliz!

Apesar de a morte não poder ser definida, é possível explicar algumas coisas sobre ela. A morte pode significar um limite para o ser humano, esse limite permite com que haja uma renovação constante de humanos no planeta. Essa renovação serve como controle de população. Poderíamos então, definir a morte como um controle? Talvez. Nada certo. Ainda sim, é possível. Portanto percebemos que mesmo sendo impossível definir o que é morte, nós podemos atribuir classificações ou conceitos relativos. Esses conceitos podem até satisfazer a curiosidade das pessoas, mas para aqueles que adoram um bom mistério como eu, esses conceitos não fazem nada mais que aguçar nossa curiosidade. A mensagem final fica então a mostra. Não adianta tentar advinhar, talvez aceitar seja o primeiro passo para uma resolução e não se esqueçam, nós não fazemos ideia do que há por vir, então aproveite sua vida ao máximo para que no seu leito de morte você possa sorrir e dizer que fez tudo o que queria e podia para que fosse uma pessoa feliz!

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Além da escuridão

Era noite, Hugo estava se preparando para dormir quando percebeu um barulho na janela de sua casa. Abrindo a janela um vento frio como gelo entrou para o seu quarto e o fez tremer, mas ao ver quem estava ali atirando pedrinhas em sua janela logo seu coração se aqueceu. Era Mariana, seus olhos verdes brilhavam com a luz do poste e então Hugo recebeu um sms que dizia: “Vamos nos divertir?”. É claro que Hugo estava com receio de que fosse pego por seus pais e entrasse de castigo por um longo tempo, mas a adrenalina de estar quebrando regras com Mariana compensava qualquer coisa. Então Hugo se arrumou e pulou com facilidade a janela do seu quarto, ao encontrar Mariana deu-lhe um beijo e então os dois sairam andando apressadamente pela rua.

Chegando na encruzilhada se perguntaram o que iriam fazer naquela noite de lua cheia, então Hugo sugeriu de visitarem a última casa da rua, aquela abandonada. Mariana se assustou um pouco, mesmo gostande de fazer esse tipo de coisa ela ainda tinha medo daquela casa, mas mesmo assim os dois foram para lá. A casa parecia estar abandonada há muito tempo, mas o vento que sibilava fazia sua estrutura ranger parecendo que a casa estava gritando. O mesmo vento que entrou pela janela do quarto de Hugo passou pelos dois e essa foi a primeira vez na noite que mariana quis desistir da aventura. Mesmo assim não falou nada com medo de que Hugo a achasse uma medrosa. Os dois pularam a cerca que impedia que curiosos ficassem bisbilhotando a casa e se depararam com alguns avisos de “CUIDADO” espalhados pelo jardim, mesmo assim continuaram a caminhada como se nada estivesse acontecendo. Ao adentrar na casa perceberam que as paredes mudaram desde a última vez que estiveram ali, estavam pintadas de preto tornando a casa ainda mais sombria, suas janelas emperradas não colaboravam nenhum pouco com a iluminação, então sem ver nada acenderam as lanternas de seus celulares e perceberam que a mobília também havia mudado. Dois sofás jaziam abandonados virados de cabeça para baixo, após uma boa olhada, eles perceberam que tudo estava de cabeça para baixo. A mesinha de canto, a televisão antiga, um tocador de vinil e uma banqueta de três pernas. Aquilo estava ficando muito estranho, mas mesmo assim Hugo quis continuar, apesar de Mariana estar com um “mal pressentimento”. Após passar a sala eles entraram num corredor, não havia nenhuma mobília no corredor, mas as paredes continuavam negras. Tentaram abrir as portas do corredor, mas sem sucesso, indo de porta em porta chegaram na última porta do corredor e essa se abriu. Os dois estavam esperando um quarto com corpos esquartejados, sangue por todo lado ou pelo menos alguns rituais satânicos, mas se decepcionaram com apenas um guarda roupa encostado na parede oposta da entrada. Chegando mais perto eles perceberam dois copos, que também eram negros. Hugo ficou curioso com o conteúdo do copo então se aproximou, já Mariana deu um passo para trás com medo do que pudesse acontecer ali. Então Hugo pegou o copo do chão e cheirou o conteúdo, reconhecendo o cheiro ele disse para Mariana:

– É apenas vinho sua lerda! Alguém deve ter vindo aqui e para zuar pintou as paredes de preto e deixou esses copos aqui para assustar as pessoas, mas eu não me assusto tão facilmente assim. – Então tomado de um súbito desejo Hugo tomou o conteúdo do copo. Mariana soltou um grito abafado e Hugo riu do seu desespero. Então num súbito olhar Mariana gritou mais e mais alto, um grito agudo e estridente, então Hugo se assustou e percebeu que havia algo escorrendo sobre seu rosto. Ele passou a mão para verificar e então percebeu que era sangue, havia sangue saindo de seu nariz, suas orelhas e seus olhos. Hugo entrou em desespero e quis sair correndo, mas não conseguiu, tudo o que conseguiu fazer foi soltar um grito que logo foi abafado por um crepitar. Olhando para trás percebeu que o mesmo guarda roupa que estava encostado na parede estava de portas abertas e pegando fogo por fora e seu interior estava muito escuro, exceto por uma luz que surgiu ao longe, parecendo por fim que o anterior daquele guarda roupa não possuia fim. Incapaz de se mover Hugo foi tomado pelo terror. Uma língua de fogo surgiu de dentro do guarda roupa e o puxou para dentro do guarda roupa em direção àquela luz. Ao perceber isso Mariana saiu correndo da casa dizendo que nunca mais voltaria ali. Hugo que fora sugado pelo guarda roupa obscuro caiu em um lugar totalmente desconhecido onde quando ele olhasse para trás ele via escuridão e quando olhava para frente via o mundo onde ele estava, mas não podia voltar nem avançar. E foi ali que Hugo percebeu que estava preso e condenado a olhar tudo o que aconteceria no mundo que ele havia deixado. O gosto de sangue nunca mais saiu de sua boca e naquele momento ele ainda estava olhando sua mãe chorar por causa do seu desaparecimento. Hugo sabia que nunca mais a veria novamente e amaldiçoou tudo o que havia feito naquela noite da casa do fim da rua.

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Preconceito religioso e ateísta: Qual o sentido?

Talvez, eu não seja a melhor pessoa para falar sobre esse assunto, mas me sinto na necessidade de falar o que eu penso.

Há alguns dias atrás vi uma notícia causando polêmica na internet, a notícia dizia que o Papa Francisco havia falado que não importava se você era ateu, contanto que seja bom você vai para o céu. Achei a notícia um máximo, o Papa buscando expandir os horizontes da igreja católica e tentando evitar aquele preconceito bobo entre pessoas que acreditam e não acreditam em Deus. A questão aqui é: Qual a opinião de ambos os lados com relação a declaração do Papa? Por que existe o preconceito entre religiões?Busquei analisar essas duas questões de diferentes perspectivas, então lá vai!

Visão da Igreja Católica: A igreja católica por si só funciona como uma instituição, a instituição mais antiga de todo o mundo se formos analisar aos olhos da bíblia. O preconceito dos membros da igreja católica (que possui mais de 1 bilhão de pessoas voltadas para suas crenças) com relação àqueles que são ateístas não possui fundamento nenhum, tanto  quanto o preconceito dos ateístas contra os membros da igreja católica também não possui. Os católicos, principalmente aqueles bem fervorosos, são os mais ativos nesse preconceito, por exemplo, é comum você ver algum católico olhando para alguém e falando “Esse aí não vai para o céu”. Essa é a forma de preconceito mais usada pelos católicos e é aí que entra a genialidade que o nosso querido Papa Chiquinho disse. Vamos analisar um pouco o novo testamento, onde Jesus, que é a figura salvadora da humanidade para os cristãos, aparece. Segundo as escrituras, Jesus, cabeludão, barbudão, dois mestros de altura e olhos azuis, com a sua morte na cruz salvou toda a humanidade. Mas pera aí, toda a humanidade significa TODA A HUMANIDADE! Não importa se você acredita ou não, se você acredita em deus do fogo, em Buda, em Chuck Norris, em Exódia, em Goku, ou sei lá o que. Você foi salvo por Jesus quando ele morreu crucificado! Não tem conversa!  O grande problema de alguns católicos é acharem que o céu é apenas deles, sendo que o catolicismo prega algo totalmente diferente. Quantas vezes no passado (e ainda hoje) não sofremos com interpretações erradas da bíblia de quem estava ou está no poder? Com esse comentário do Papa alguns católicos se ofenderam e chegaram a dizer “Mas por que eu tenho que me sacrificar rezando e seguindo todos os dogmas da igreja enquanto outras pessoas não fazem nada disso e vão para o céu também?” Para essas pessoas eu só tenho uma coisa a dizer: Vocês são hipócritas! Se qualquer pessoa me disser que só reza por medo de ir para o inferno ou por obrigação eu a aconselho a se afastar da sua crença e pensar um pouco no que está fazendo com a sua vida. Segundo o comentário do Papa tudo ficou claro, se você for bom você vai para o céu, se não vai para o inferno, simples, não? Eu sou católico e rezo para o meu Deus porque isso me faz bem, não me convém discutir o porquê de acreditar nele e o porquê de não acreditar. Cada um faz o que quiser com a sua vida e pronto. Mas eu pergunto a vocês, caros leitores, vocês gostam de viver em um mundo de guerras, onde não há segurança alguma e você precisa viver praticamente trancado? Acho que não. E é aí que entra a minha questão de que a religião é necessária. Por quê? Porque ela ensina o certo e o errado, porque ela te dá uma aula desde cedo de valores éticos e morais. Tudo bem que opiniões divergem, mas tenho certeza que ninguém aqui gosta de ser assaltado, não é? Então magine só viver em um lugar onde cada um ama ao próximo como a si mesmo? Esse é o segundo mandamento. Se apenas esse fosse cumprido nós estaríamos num cenário bem diferente. Por isso que se um Papa toma tal atitude, ele está disposto a mudar o rumo de muita coisa e como meu sonho de criarem um “Rei do Mundo” ainda está longe de ser realizado, eu confio no papa para a difícil missão que é instituir a paz nesse mundo caótico.

Visão Ateísta: Olha, dos ateus que eu conheço, não é porque o Papa disse que se eles forem bons eles vão para o céu que eles vão começar frequentar a igreja. Mas com toda certeza, a afirmação do papa colocou muitos ateus e católicos “não-praticantes” para refletir. Com toda certeza o Papa perdeu e ganhou fiéis através da declaração, mas o que os ateus ganham ou perdem com isso? Para começar, existem muitos ateus que não acreditam em Deus mas morrem de medo de ir queimar no fogo do inferno e existem ateus que não acreditam e não estão preocupados, mas eu convido a todos os ateus refletirem comigo, até mesmo você que odeia as pessoas que acreditam em Deus. As pessoas criticam as religiões por conta das tragédias que acontecem, pedofilia em que padres estão envolvidos, pessoas que matam em nome de Deus, pessoas que ficam loucas por causa da sua fé, pastores que roubam dinheiro dos fiéis, etc. Mas não veem as coisas boas que essas religiões fazem, como missões para países pobres, campanhas para arrecadar dinheiro para doar às famílias atingidas por tragédias, etc. Imaginem só o mundo inteiro fiel à apenas uma religião, onde tal qual fizesse por merecer, ensinando apenas o necessário para encaminhar as novas gerações para um caminho de paz. Você que não é muito fã de religião deve estar pensando: “ Por que a religião deve educar as novas gerações sendo que isso é trabalho para os pais?” Meu querido, se você foi educado a partir desses valores de ética e moral, do que é certo e errado, parabéns, ensine a mesma coisa para seus filhos e fale para eles fazerem o mesmo com os filhos deles e assim por diante. Mas existem crianças que não puderam ter essa educação dentro de casa e depois sem saber o que é certo e errado são aliciados à fazerem coisas erradas, como por exemplo, roubar seu Iphone, sua casa, ou até sua namorada.

Analisando essas questões dessa forma é possível perceber que não importa seu credo se sua intenção for boa! Faça as coisas com amor! Ame seu próximo como a ti mesmo! Que tal nos juntarmos e criarmos um modo de pensar único? Não seria o máximo? Isso só depende de você! O caminho da paz na humanidade é longo, mas você sabe que haverá frutos para serem colhidos no futuro. Não estou pedindo nada impossível, não é?

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