O que é a morte?

Um rito? Uma passagem? Um falecimento?  Um desencarne? Uma perda ou um ganho? O começo ou o fim da vida? De qual vida?

Essas são perguntas um tanto quanto perturbadoras. Mas será que é possível descobrir realmente o que é a morte com tantos pontos de vista? Acho pouco provável. Trabalharei apenas com suposições que formulei a partir da leitura de algumas obras.

“Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo.” Começo essa dissertação com as palavras do meu querido amigo Dr. House. House diz isso após a namorada do seu melhor amigo morrer e os dois acharem que a culpa é dele complicando de uma forma catastrófica a amizade dos dois. Se a morte pode conseguir algo tão forte como desmanchar uma grande amizade com muitos anos de duração do que mais ela é capaz? E tão impossível ter certeza absoluta de um conceito para a morte quanto provar que Deus não existe. Para Heráclito não se fala de vida se não pela morte, não se compreende a morte se não pela vida. Com toda certeza nós temos que viver para morrer, mas por que morremos? Porque existem doenças degenerativas? Para controlar a população mundial? Porque existe uma entidade maior que brinca conosco? Qual a sua opinião?

Saber que alguém próximo a você está morrendo pode ser algo chocante e um ato devastador para quem recebe a notícia. Nós nos preocupamos como nunca havíamos feito antes. Buscamos sempre fazer o melhor. Choramos igual condenados. A culpa por algo passado bate forte. Resumindo, nós fazemos uma análise da nossa vida, mesmo que não seja a nossa que esteja se esvaindo. Até nesse ponto o ser humano é tão egoísta ao preocupar-se mais consigo mesmo do que com quem está prestes a falecer.

Como funciona para a pessoa que está quase indo para o lado de lá? (Se é que ele existe) Eu não faço ideia é claro, nunca estive prestes a morrer, mas como passei um bom tempo no hospital do câncer da minha cidade pude ver cinco pessoas que estavam prestes a morrer. Algumas desorientadas nem sabiam o que estava se passando, felizes essas que não faziam ideia de que iriam morrer e quando foram nem perceberam. A morte começa quando o ser humano começa temê-la. Não antes e nem depois. O temor da morte faz o ser humano não viver sua vida, se preocupar mais com algo que está por vir do que o que está acontecendo no atual momento. Essa com toda certeza é uma das maiores causas de mortes. Outras pessoas sabiam de tudo e agonizavam. Mas essas já sabiam que iriam morrer, aceitaram a morte de bom grado e estavam apenas se preocupando com os membros da família a sua volta, pedindo para que eles não ficassem tristes, mas isso é quase impossível não? Consegui ver pessoas que estavam felizes com a morte. Será que é possível? Na verdade, é muito nornal, só é difícil as pessoas manifestarem esse desejo pois provavelmente seriam impedidas. Essas pessoas talvez tiveram uma vida miserável, escolhas ruins, consequências piores ainda, ou talvez, apenas tivessem a cabeça fraca, mas a culpa disso não é minha nem sua, afinal, existe culpa da morte?

Se alguém dá um tiro em uma pessoa, foi culpa dela aquela bala ter se alojado no coração da pessoa e a matado? Se sim, então quando a bala é totalmente mirada e não atinge nenhum lugar com dano permanente também é culpa do atirador? Se um médico ministra um remédio errado e mata alguém ele é o total culpado por isso ter acontecido? Para se entender pelo menos um pouco da morte é preciso analisar uma série de fatores que as pessoas não estão nenhum pouco dispostas a analisar. Todas agem por impulso, a primeira coisa que veêm se torna uma verdade absoluta e então ignoram todo o resto. Talvez essa seja a coisa racional a ser feita, mas não a certa. As pessoas buscam desesperadamente qualquer pessoa ou coisa para culpar tentando “tirar o dela da reta”. Isso prova ainda mais o quanto o ser humano é egoísta em relação a qualquer assunto.

Já que morrer está tão relacionado à vida, por que as pessoas desperdiçam sua vida com o medo de morrer? A morte deveria ser o fator que leva as pessoas a viverem! Não o contrário! A morte poderia ser nada mais nada menos do que uma mensagem criada pelo ser humano, para dizer ao próprio ser humano “Vá e viva sua vida antes que seja tarde demais!!” Mas parece que é difícil isso entrar na cabeça das pessoas. Como dito no começo dessa dissertação, talvez seja preciso alguém a sua volta morrer para que você comece ver as coisas da maneira certa, já que a morte muda tudo. Então qual é o significado de viver se um dia vamos morrer? Aí que está a (de um modo grosseiro e irônico) graça da coisa. Nós não sabemos! Não sabemos se havia algo antes de virmos para cá, não sabemos se existe algo depois daqui, a única coisa que nos resta é aproveitar o que a gente sabe! E tenho certeza que nunca conseguirão provar se algo existe antes ou depois, portanto, continuaremos tendo que viver nossa vida de um modo que nos faça feliz!

Apesar de a morte não poder ser definida, é possível explicar algumas coisas sobre ela. A morte pode significar um limite para o ser humano, esse limite permite com que haja uma renovação constante de humanos no planeta. Essa renovação serve como controle de população. Poderíamos então, definir a morte como um controle? Talvez. Nada certo. Ainda sim, é possível. Portanto percebemos que mesmo sendo impossível definir o que é morte, nós podemos atribuir classificações ou conceitos relativos. Esses conceitos podem até satisfazer a curiosidade das pessoas, mas para aqueles que adoram um bom mistério como eu, esses conceitos não fazem nada mais que aguçar nossa curiosidade. A mensagem final fica então a mostra. Não adianta tentar advinhar, talvez aceitar seja o primeiro passo para uma resolução e não se esqueçam, nós não fazemos ideia do que há por vir, então aproveite sua vida ao máximo para que no seu leito de morte você possa sorrir e dizer que fez tudo o que queria e podia para que fosse uma pessoa feliz!

1 comentário

Arquivado em Dissertações

Uma resposta para “O que é a morte?

  1. Rafael

    Muito boa análise, é fato que a morte é e “sempre” será um mistério para nós, e é por este motivo mesmo, que é interessante atribuir e/ou refletir sobre as definições a ela dadas.

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