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João e a Pé de quê?

João é um garoto de classe baixa que vive apenas com a sua mãe, os dois moram em um morro e passam por situações consideradas desesperadoras, chegando dias que até passam fome. Certo dia a mãe de João pediu para que ele fosse no centro da cidade vender a última peça valiosa que ela possuía, um correntinha de ouro com uma vaca entalhada nela. A caminho do centro, João com a correntinha que o deixaria tirar a barriga da miséria, estava passando por um beco quando percebeu um homem maltrapilho encostado na parede. Ficou com medo do homem e decidiu passar o mais longe possível dele, mas o homem foi mais esperto, desencostou da parede e ficou frente a frente com João, com um movimento rápido tirou algo do bolso e falou para um João horrorizado:

– Percebi que você têm uma corrente muito bonita aí meu jovem, que tal fazer uma ótima troca? Eu tenho aqui sementes mágicas! Com elas você poderá ganhar muito dinheiro! – Dizendo isso o homem maltrapilho apresentou as sementes à João, esse estava aterrorizado, mas quando viu as sementes coloridas e grandes ficou maravilhado, mesmo desconfiando um pouco do homem fez a troca e voltou sorridente para casa. Quando chegou em casa contou tudo o que havia acontecido para a mãe e mostrou aqueles feijões mágicos que trazia consigo com tanto zelo. A mãe incrédula tirou os feijões da mão de João e os jogou pela janela para o quintal e depois deu a maior surra que João já havia tomado em toda a sua vida dizendo que ele fora enganado e que era um retardado por acreditar em feijões mágicos. João dormiu com fome e infeliz aquela noite prometendo para si mesmo que nunca mais seria enganado em toda a sua vida.

            O tempo passou e João cresceu em meio ao tráfico e a bandidagem, desde cedo teve que roubar para não passar fome e alimentar o vício em álcool de sua mãe, já havia perdido a conta de tantas coisas ruins já tinha feito e João ainda não havia nem chegado a maioridade. Lembra-se daquelas sementes que a mãe de João jogou pela janela quando ela era menor? Então, elas fecundaram o solo e se transformaram em uma grande árvore que chegava a quase quatro metros de altura.

            A casa de João era uma das últimas de sua rua e atrás de sua casa erguia-se um grande condomínio fechado da classe mais alta de sua cidade.

            Um certo dia João havia acabado de voltar de um assalto e estava descansando em casa, quando percebeu algo que lhe chamou muito a atenção, aquela árvore que cresceu com as sementes que aquele maldito homem tinha lhe enganado quando era criança passava dos arames do muro do condomínio fechado, então João teve uma grande ideia e resolveu testá-la. Subiu na árvore e quando estava quase no topo, conseguiu agarrar-se na ponta de um galho e desceu para dentro do condomínio fechado com facilidade, quando aterrizou no chão percebeu que estava nos fundos de uma casa e a porta estava aberta, entrou com cautela com medo que tivesse alguém em casa, mas depois de uma boa vasculhada não encontrou ninguém e decidiu procurar dinheiro e coisas de valor. Como não havia trazido consigo nenhum saco ou coisa parecida para colocar as coisas que seriam furtadas decidiu pegar todo o dinheiro que conseguisse e quando ia saindo percebeu uma estatueta de ouro em cima de uma mesa na sala, colocou o dinheiro em um bolso e a estatueta em outro, percebeu que teria que sair pela porta da frente e mais que depressa foi abrir a porta para encontrar algum lugar que pudesse escapar ou talvez teria que sair pelo portão de entrada como um morador comum. Mas antes de chegar à porta, a mesma se abriu e por ela entrou um senhor de idade, ele se assustou ao ver João ali, mas mesmo assim ergueu seus braços e disse que João poderia levar tudo o que queria. João sabia o que tinha que ser feito, ele morava na rua de trás e não queria sair de sua casa e o homem poderia facilmente reconhecê-lo porque estava sem capuz, então João levou o velho para o fundo, pegou um machado de cortar lenha e matou o velho a sangue frio com dezesseis machadadas por todo o corpo. João trancou a casa e saiu como se nada tivesse acontecido, porém, o senhor da casa ao lado achou estranho um homem saindo da casa de seu vizinho aquele horário e resolveu ligar para a segurança do condomínio. Como João não havia achado outra saída, resolveu sair pelo portão da frente como um morador qualquer, mas quando chegava ao portão foi impedido de passar pelos seguranças que perceberam que João era um ladrão e chamaram a polícia. A polícia investigou a casa que fora assaltada e acharam o corpo mutilado do velho. João foi condenado à trinta anos de prisão sem condicional e morreu na cadeia. 

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