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Além da escuridão

Era noite, Hugo estava se preparando para dormir quando percebeu um barulho na janela de sua casa. Abrindo a janela um vento frio como gelo entrou para o seu quarto e o fez tremer, mas ao ver quem estava ali atirando pedrinhas em sua janela logo seu coração se aqueceu. Era Mariana, seus olhos verdes brilhavam com a luz do poste e então Hugo recebeu um sms que dizia: “Vamos nos divertir?”. É claro que Hugo estava com receio de que fosse pego por seus pais e entrasse de castigo por um longo tempo, mas a adrenalina de estar quebrando regras com Mariana compensava qualquer coisa. Então Hugo se arrumou e pulou com facilidade a janela do seu quarto, ao encontrar Mariana deu-lhe um beijo e então os dois sairam andando apressadamente pela rua.

Chegando na encruzilhada se perguntaram o que iriam fazer naquela noite de lua cheia, então Hugo sugeriu de visitarem a última casa da rua, aquela abandonada. Mariana se assustou um pouco, mesmo gostande de fazer esse tipo de coisa ela ainda tinha medo daquela casa, mas mesmo assim os dois foram para lá. A casa parecia estar abandonada há muito tempo, mas o vento que sibilava fazia sua estrutura ranger parecendo que a casa estava gritando. O mesmo vento que entrou pela janela do quarto de Hugo passou pelos dois e essa foi a primeira vez na noite que mariana quis desistir da aventura. Mesmo assim não falou nada com medo de que Hugo a achasse uma medrosa. Os dois pularam a cerca que impedia que curiosos ficassem bisbilhotando a casa e se depararam com alguns avisos de “CUIDADO” espalhados pelo jardim, mesmo assim continuaram a caminhada como se nada estivesse acontecendo. Ao adentrar na casa perceberam que as paredes mudaram desde a última vez que estiveram ali, estavam pintadas de preto tornando a casa ainda mais sombria, suas janelas emperradas não colaboravam nenhum pouco com a iluminação, então sem ver nada acenderam as lanternas de seus celulares e perceberam que a mobília também havia mudado. Dois sofás jaziam abandonados virados de cabeça para baixo, após uma boa olhada, eles perceberam que tudo estava de cabeça para baixo. A mesinha de canto, a televisão antiga, um tocador de vinil e uma banqueta de três pernas. Aquilo estava ficando muito estranho, mas mesmo assim Hugo quis continuar, apesar de Mariana estar com um “mal pressentimento”. Após passar a sala eles entraram num corredor, não havia nenhuma mobília no corredor, mas as paredes continuavam negras. Tentaram abrir as portas do corredor, mas sem sucesso, indo de porta em porta chegaram na última porta do corredor e essa se abriu. Os dois estavam esperando um quarto com corpos esquartejados, sangue por todo lado ou pelo menos alguns rituais satânicos, mas se decepcionaram com apenas um guarda roupa encostado na parede oposta da entrada. Chegando mais perto eles perceberam dois copos, que também eram negros. Hugo ficou curioso com o conteúdo do copo então se aproximou, já Mariana deu um passo para trás com medo do que pudesse acontecer ali. Então Hugo pegou o copo do chão e cheirou o conteúdo, reconhecendo o cheiro ele disse para Mariana:

– É apenas vinho sua lerda! Alguém deve ter vindo aqui e para zuar pintou as paredes de preto e deixou esses copos aqui para assustar as pessoas, mas eu não me assusto tão facilmente assim. – Então tomado de um súbito desejo Hugo tomou o conteúdo do copo. Mariana soltou um grito abafado e Hugo riu do seu desespero. Então num súbito olhar Mariana gritou mais e mais alto, um grito agudo e estridente, então Hugo se assustou e percebeu que havia algo escorrendo sobre seu rosto. Ele passou a mão para verificar e então percebeu que era sangue, havia sangue saindo de seu nariz, suas orelhas e seus olhos. Hugo entrou em desespero e quis sair correndo, mas não conseguiu, tudo o que conseguiu fazer foi soltar um grito que logo foi abafado por um crepitar. Olhando para trás percebeu que o mesmo guarda roupa que estava encostado na parede estava de portas abertas e pegando fogo por fora e seu interior estava muito escuro, exceto por uma luz que surgiu ao longe, parecendo por fim que o anterior daquele guarda roupa não possuia fim. Incapaz de se mover Hugo foi tomado pelo terror. Uma língua de fogo surgiu de dentro do guarda roupa e o puxou para dentro do guarda roupa em direção àquela luz. Ao perceber isso Mariana saiu correndo da casa dizendo que nunca mais voltaria ali. Hugo que fora sugado pelo guarda roupa obscuro caiu em um lugar totalmente desconhecido onde quando ele olhasse para trás ele via escuridão e quando olhava para frente via o mundo onde ele estava, mas não podia voltar nem avançar. E foi ali que Hugo percebeu que estava preso e condenado a olhar tudo o que aconteceria no mundo que ele havia deixado. O gosto de sangue nunca mais saiu de sua boca e naquele momento ele ainda estava olhando sua mãe chorar por causa do seu desaparecimento. Hugo sabia que nunca mais a veria novamente e amaldiçoou tudo o que havia feito naquela noite da casa do fim da rua.

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